"SUA OPINIÃO EM RELAÇÃO A DIVISÃO DO ESTADO DO PARÁ"
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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Novos elementos químicos

Por Ruy Ernesto Nóbrega Schwantes
Fotolia/ Michael Brown
A União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) aprovou oficialmente os nomes dos dois novos elementos químicos. São eles: Fleróvio (símbolo Fl) com número atômico 114 e o Livermório (símbolo Lv) com número atômico 116. A descoberta desses elementos foi atribuída ao Laboratório Flerov de Reações Nucleares (Rússia) e ao Laboratório Nacional Lawrence Livermore (EUA). 
Como é oficializado o nome de um novo elemento químico?
Os elementos chamados naturais, isto é, que existem na natureza, são em número de 92, com números atômicos entre 1 e 94, exceto o Tecnécio (número atômico 43) e o Promécio (número atômico 61). Os outros foram produzidos em laboratórios por reações nucleares de fusão entre os elementos naturais.
Após a preparação de um novo elemento por um laboratório e respectiva divulgação da descoberta, espera-se que outro laboratório confirme os resultados. Após a confirmação (às vezes demora alguns anos), o laboratório que sintetizou o elemento em primeiro lugar, sugere um nome e símbolo para o novo elemento. Um grupo conjunto da IUPAC e da União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP) divulga um boletim solicitando que a comunidade científica se manifeste sobre a escolha. Após um período sem comentários ou com as devidas correções o nome é então oficializado. Foi isso o que ocorreu com os dois novos elementos.
Conhecendo um pouco mais esses novos elementos
A síntese desses dois novos elementos foi feita em Dubna na Rússia, em parceria entre dois importantes laboratórios: Laboratório Flerov de Reações Nucleares, um instituto de pesquisa Nuclear da Rússia e o Laboratório Nacional Lawrence Livermore, um laboratório nos Estados Unidos. Os laboratórios escolheram em conjunto os nomes dos novos elementos. Um olhar atento já percebeu a homenagem aos nomes dos laboratórios no nome dos elementos:
Fleróvio – homenagem ao Laboratório Russo e ao cientista Georgiy N Flerov (1913 – 1990) que descobriu a fissão espontânea do Urânio e fundou o instituto de pesquisa nuclear que recebeu o seu nome.
Livermório – homenagem ao Laboratório americano que fica na cidade de Livermore na Califórnia.  (O fundador do laboratório americano, E. O. Lawrence, já havia sido homenageado com o nome do elemento de número atômico 103 – Laurêncio)
Na síntese do livermório (Z=116) foram utilizados os isótopos de cálcio-48 (Z=20, A=48) e de cúrio-245 (Z=96, A=245). Lembrando que isótopos são átomos que possuem o mesmo número atômico (Z) e diferentes números de massa (A), portanto, tem o mesmo número de prótons, mas diferente número de nêutrons. O átomo formado pela fusão desses dois isótopos decai quase que imediatamente pela emissão de uma partícula alfa em um átomo de fleróvio-287 (Z=114, A=287), este, por sua vez, também decai pela emissão de partícula alfa, transformando-se no copernício-283 (Z=112, A=283).
O fleróvio (Z=114) também foi sintetizado diretamente pela fusão de um átomo de cálcio-48 (Z=20, A=48) com um átomo de plutônio-242 (Z=94, A=242). O átomo resultante também decai rapidamente, transformando-se no copernício-283 (Z=112, A=283).
Veja a tabela periódica atualizada com os novos elementos.

Dificuldades em tirar dúvidas

Por Jonice Martini

Paula Lobo
Gostaria de orientação, pois meu filho tem dificuldades em tirar dúvidas com a professora. Ele diz que tem vergonha dos demais alunos. Como faço para ajudá-lo nessas condições? "    (AM)
Quando nos deparamos com alunos tímidos, precisamos achar um modo de ajudá-lo.  É necessário entender o porquê dessa “vergonha” de se expor em público durante a aula.  Se for um aluno do ensino fundamental I (até 5º ano), é mais fácil de trabalhar essa dificuldade, pois a mãe pode pedir para que a professora da classe faça um trabalho individual com essa criança, incentivando-a a falar e conscientizando a sala, a respeitarem o coleguinha quando estiver dando sua opinião ou tirando dúvidas.  Muitas vezes a professora não percebe que o aluno nunca faz perguntas por vergonha, a não ser que a mãe leve essa informação para a mesma.  Uma outra situação que devemos atentar é quando o aluno apresenta algum problema fonoaudiológico e por isso se sente envergonhado de participar, quando é esse o caso, faz-se necessário encaminhá-lo para um profissional da área para terapia.

Caso seja um aluno do ensino fundamental II ou ensino médio, a mãe pode solicitar à coordenadora ou orientadora educacional do colégio que ajude e encoraje este aluno, e que faça uma entrevista com o mesmo para saber os motivos que o fazem ter vergonha de falar em sala.  Verificar se ele já passou por alguma situação constrangedora, se tem dificuldade de relacionamento com algum professor (ou medo) e se esse medo persiste em todas as matérias ou é em alguma matéria especificamente. Após fazer este levantamento, a coordenadora ou orientadora educacional deve, junto com os professores, criar estratégias para ajudar este aluno.

Certa vez um professor de Língua Portuguesa encontrou uma forma bem simples de ajudar seus alunos que tinham dúvidas, mas tinham vergonha de perguntar durante a aula. Ele criou uma caixa dúvidas (pode ser uma caixa de sapato decorada ou outra). Ao final de cada aula, os alunos colocavam bilhetinhos (com seus nomes) dizendo o que não entenderam na aula, ou outras dúvidas pertinentes à matéria. Na aula seguinte, o professor, sem citar o nome dos alunos, tirava 15 minutos iniciais da aula para esclarecer as questões que havia lido nos bilhetes.  Os alunos podiam colocar quantos bilhetes quisessem. Foi uma ideia simples que apresentou resultado.

Existem outras estratégias que podem ajudar, mas a mãe deve procurar a escola (na pessoa da professora, coordenadora ou orientadora educacional) e expor a dificuldade do aluno para que família e escola trabalhem juntas, incentivando esse aluno a progredir, valorizando cada conquista dele.

* Jonice Martini é pedagoga, psicopedagoga e especialista em Educação Especial.

Gostar de ficar doente

 Por Vida e Saúde
Daniel Oliveira
Muitos pais não sabem como lidar com seus filhos quando eles adoecem. Acabam gratificando a criança mais do que quando ela está saudável. Isso pode prejudicá-la no futuro, porque ela gostará de “ficar doente” para obter os mesmos benefícios afetivos que tinha quando era menor a fim de receber carinho e cuidados especiais.

A equipe do Dr. Whitehead, da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, fez uma pesquisa científica interessante. A equipe solicitou a um grupo de 832 adultos, escolhidos aleatoriamente, que descrevessem como seus pais atuavam quando ficavam gripados. Já os que sofriam da Síndrome do Cólon Irritável (distúrbio que pode causar diarreia, constipação intestinal e dor abdominal, cujos fatores emocionais desempenham papel importante) disseram que seus pais procuravam agradá-los dando presentes e brinquedos toda vez que estavam doentes. Essa informação, unida a outros estudos, mostra que os adultos tendem a experimentar os mesmos sintomas que chamavam a atenção de seus pais quando eram crianças ou sintomas que eles viam nos pais.

Então, por exemplo, quando os pais permitiam que uma criança faltasse à escola quando apresentava sintomas intestinais, mas não quando estava com gripe, na vida adulta parece existir maior propensão a ter sintomas intestinais e não gripe. Muitas adolescentes que haviam despertado o interesse afetivo da mãe quando apresentavam cólicas menstruais, tiveram a tendência a ter mais cólicas menstruais na vida adulta do que outras mulheres.

Isso mostra que um comportamento doentio pode ser aprendido quando é recompensado. Por isso, é importante que os pais façam o seguinte:

Evite dar a impressão, seja por comentários ou atitudes, de que você vê a doença como forma de evitar tarefas desagradáveis em sua própria vida. Os filhos imitam os pais.

Lide com a doença de maneira realista. Quando um filho adoece é normal oferecer repouso, carinho e conforto, mas se você também dá presentes e outros agrados, pode dar a impressão a ele e aos irmãos de que a criança doente é mais amada do que a criança sadia.

Tenha bom senso. Algumas queixas físicas que a criança apresenta em dias de véspera de provas, as quais desaparecem de repente, quando você liga a televisão, ou deixa brincar um pouco mais, não devem ser valorizadas. Por outro lado, sintomas como febre, distensão abdominal, sangramento retal, vômitos, requerem atenção. Na dúvida, consulte o pediatra ou o clínico da família.

Observe-se a si mesmo, para ver se você não trata um filho doente (ou não), diferentemente de outro filho. Talvez você negue essa possibilidade, mas tratar cada filho de modo diferente é mais comum do que pensamos. Você pode amá-los igualmente, mas usar maneiras afetivas diferentes com um e com outro. A mudança positiva da atitude dos pais tem início quando eles percebem esse fato e entendem que precisam lutar com seus fatores emocionais pessoais, fatores que os fazem agir de maneira diversa com os filhos, seja na saúde ou na doença deles.

[Fonte: Vida e Saúde – janeiro 2012, p.24]

Não seja vítima da transiência!

| Por Lilian Martins Larroca
Eléonore H/Fotolia
Já passou pela experiência de pegar uma prova, ler as perguntas, reconhecer todas as palavras e descobrir que seu cérebro, de repente, parece estar em branco? Onde foram parar todas as informações? Qual foi o resultado de ter estudado – às vezes até tarde da noite? Se isso aconteceu com você, saiba que você foi uma vítima da transiência. Em teoria, isso não deveria acontecer com nenhum aluno. Afinal, houve pelo menos três situações de exposição à matéria: a aula em que o conteúdo foi explicado, a tarefa referente a ele e o estudo. No entanto, será que isso é suficiente para afastar a transiência?
O que é transiência?
A transiência é uma experiência que acontece com todos. Na verdade, ela é uma espécie de curva do esquecimento – o caminho normal de uma memória que se perdeu com o correr do tempo. Isso acontece por um motivo: nosso cérebro não costuma deixar em lugar “visível” as informações que não são consideradas importantes. Se a informação foi considerada importante, ele deixa em destaque em sua mente. Se você disse a ele, através de seu comportamento, que aquilo não tinha importância, é como se ele guardasse em alguma gaveta, e você não conseguirá recuperar essa memória facilmente.
Algumas experiências mostram como é fácil esquecer uma informação e cair nas teias da transiência. Um grupo de pessoas foi orientado a ler o texto de um livro didático e, depois de alguns dias, tiveram que fazer provas a respeito do assunto. Os resultados foram desanimadores:
  • 1 dia depois, as pessoas se lembravam de 54% das informações estudadas;
  • 7 dias depois, lembravam-se de 35% do material estudado;
  • 14 dias depois, lembravam-se de 21% do material estudado;
  • 21 dias depois, eles se lembravam de 8% do material estudado.
Outras pesquisas mostraram resultados ainda piores: 14 dias depois, os estudantes tinham esquecido 90% das informações!
Se, em sua escola, existe uma semana de avaliações por mês, é muito provável que você faça a prova 21 dias depois da introdução da matéria. Portanto, se o seu cérebro não entendeu que a matéria é importante, você pode ser vítima da transiência.
Como dizer ao cérebro que a informação é importante?
Como você sabe, seu cérebro não “escolhe” o que é importante sozinho. Ele fará essa seleção de acordo com o que você faz com essa informação. Se você não usar essa informação, ele entenderá que ela não é importante. No cérebro, existe apenas uma regra: “Use ou perca!”
Como evitar a transiência:
Para não cair nas garras da transiência, siga estas dicas:
  1. Leia a matéria antes mesmo de o professor ensinar: Essa atitude faz com que a explicação do professor faça ainda mais sentido e desperte mais sua atenção. A aula do professor encontrará em sua mente um solo já preparado para o conhecimento criar raízes.
  2. Preste atenção durante a aula: Se você não direcionar sua atenção para o professor durante a explicação, seu cérebro entenderá que isso não é importante, e vai jogar essas informações na gaveta do esquecimento. 
  3. Faça as tarefas solicitadas: Cada tarefa que você faz referente a um assunto é uma maneira de rever aquela matéria. Além disso, fazer os exercícios exige um processamento mais profundo que a leitura. Não desperdice essa oportunidade.
  4. Faça revisões da matéria: Mesmo sem ter tarefas sobre a matéria, revise. Isso faz com que o cérebro forme redes de longo prazo. Na semana em que a matéria foi explicada, revise várias vezes. Depois, revise uma vez por semana até chegar a data da prova.
  5. Recorde na véspera da prova: Depois de ter feito esse processo, é só relembrar os pontos principais da matéria na véspera da prova.

Siga essas dicas e tenha ótimos resultados!

Orientação Profissional

Biomedicina

(Imagem: Shutterstock)
O curso de Biomedicina, com duração de quatro anos, tem como matérias do currículo: Bioquímica, Fisiologia, Administração Laboratorial e Informática, além de Inglês e Metodologia Científica, que são indispensáveis na tradução e elaboração de trabalhos científicos. Praticamente 50% do curso é dedicado às práticas de laboratório, onde o graduando aprende a manusear os equipamentos e substâncias químicas. Ao finalizar o curso, o aluno precisa escolher uma área específica para fazer o estágio e o trabalho de conclusão.

A Biomedicina é a área das ciências biológicas que está voltada para a pesquisa das doenças humanas, suas causas e meios de tratamento.

O biomédico trabalha em hospitais, laboratórios e instituições públicas de saúde. Estuda os causadores de enfermidades e identificando e classifica os micro-organismos para combater essas doenças. Trabalha em parceria com outros profissionais da saúde, como biólogos médicos, farmacêuticos e bioquímicos.

As possibilidades de atuação no mercado são amplas. Há pelo menos vinte áreas específicas para o biomédico. Veja algumas:

  • Anatomia
  • Análises (clínicas, bromatológicas e ambientais)
  • Biologia molecular
  • Biotecnologia
  • Farmacologia
  • Imunologia
  • Patologia
  • Vigilância sanitária

Esse profissional deve ficar atento às ofertas de trabalho de acordo com a área para a qual está habilitado pelo curso. Está em alta lidar com a tecnologia em pesquisas laboratoriais, perícia criminal, indústria de alimentos e indústria farmacêutica. Cresce a demanda por biomédicos na área de citologia oncológica (prevenção de câncer). O salário inicial fica em torno de R$ 1.600,00.

Guia para o Enem 2012

Divulgação
O Ministério da Educação lançou o manual A redação no Enem 2012 – Guia do participante, que detalha os critérios da metodologia de correção, orienta os candidatos sobre as competências requeridas e apresenta exemplos de redações que obtiveram nota máxima no exame anterior. Faça o download do guia.





Enem Intera@tivo   

Divulgação
Para instruir os estudantes para a prova que será aplicada nos dias 3 e 4 de novembro. O Sistema Inter@tivo elaborou um guia completo de estudos, que além da redação, engloba por completo as quatro áreas do conhecimento (Ciências Humanas e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias). Por meio do guia, o candidato pode:
• sanar as principais dúvidas a respeito do Enem;
• entender, de forma clara e prática, a matriz de competências e habilidades e a lista de conteúdos de cada área;
• resolver diversas questões selecionadas de provas de 2009, 2010 e 2011;
• aperfeiçoar a habilidade de leitura de textos, gráficos, mapas, tabelas, imagens e charges;
• compreender as habilidades a tal ponto que possam indicar pistas para a interpretação das questões;
• ser incentivado a acompanhar as atualidades;
• adquirir o hábito de estudo.

Ao longo de todo o material há dicas que também ajudarão no preparo para o exame. Utilize esse material e tenha sucesso em seu preparo.

Surdos – uma história impressionante



Diseñador/Fotolia
Durante muito tempo os surdos tiveram (e têm ainda hoje) que enfrentar algumas dificuldades em relação a sua cultura, identidade e especialmente a sua educação. Segundo Honora e Frizanco (2009), no período da Idade Média, os gregos consideravam os surdos como seres incapazes de viverem na sociedade. Líderes sociais da época, como Aristóteles, por exemplo, ensinavam que a criança ao nascer surda, por não se comunicar através da fala, não conseguia raciocinar. Logo, o surdo era visto como um ser inapto a exprimir ideias e sentimentos.

Os surdos “não tinham direito a testamentos, a escolarização e a frequentar os mesmos lugares que os ouvintes.” (HONORA; FRIZANCO, 2009, p. 19). Sendo, portanto, colocados nas classes de doentes mentais e das pessoas que possuíam qualquer outra doença. No entanto, em 360 a.C., Sócrates, grande educador propondo a ética, afirmou que os surdos  precisavam se comunicar com as mãos e corpo, tendo muita repercussão naquela época.
Com o passar do tempo, os romanos, influenciados pela Grécia, trouxeram ideias parecidas acerca dos surdos. Para eles, o surdo era uma pessoa imperfeita e que deveria ser afastada totalmente da sociedade. Mas uma grande parte dos surdos estava na classe dos nobres, que “para não dividir suas heranças com outras famílias acabavam casando-se entre si, o que gerava grande número de surdos entre eles.” (HONORA; FRIZANCO, 2009, p. 19).

A Igreja, percebendo que o isolamento dos surdos (nobres) da sociedade geraria um pequeno “desconforto financeiro” na instituição religiosa, logo, estabeleceu uma forma de educação para os surdos, que ficou intitulada como Educação Preceptorial.

Honora e Frizanco (2009) dizem que a educação preceptorial era regida por preceptores que iam até as casas dos surdos aplicando seus métodos educativos. Os preceptores encarregados da época para fazerem isso eram os monges que há algum tempo tinham feito um voto denominado Voto de Silêncio.

O voto recebeu essa nomenclatura porque os monges ficavam afastados da sociedade por um tempo e quando retornavam com as descobertas que tinham feito dos Livros Sagrados não podiam se comunicar verbalmente, criando assim a linguagem gestual.

Segundo Honora e Frizanco (2009), essa foi a primeira vez que houve a tentativa de educar os surdos com a linguagem por gestos. Mas é no final da Idade Média e início do período do Renascimento que as teorias acerca dos surdos são mudadas. A teoria religiosa é esquecida um pouco e agora a teoria da razão é que passa a ser analisada sob uma nova ótica, tendo os médicos e cientistas como colaboradores para as possíveis descobertas. O maior objetivo deles era definir o método a ser utilizado.

Durante a Revolução Industrial a disputa entre a teoria do Oralismo e a da Língua de Sinais começa com muita força. Em 1790, L’Epeé, primeiro diretor do Instituto Nacional de Surdos-Mudos, foi substituído por Roch Ambroise Cucurron Sicard. O novo diretor ajudou na criação de várias instituições de surdos em todo o país. (HONORA; FRIZANCO, 2009).

Nessas instituições era utilizada a Língua de Sinais, que consistia da combinação dos sinais com a gramática francesa. E com o uso da gramática os alunos aprendiam a ler e a escrever e não ficavam tão distantes do grau de conhecimento dos ouvintes.

O médico-cirurgião francês, Jean Marc Itard, teve uma participação considerável para a valorização dos surdos na sociedade, que apesar de trabalhar em prol da extinção da língua de sinais, acabou rendendo-se “ao fato que o surdo só pode ser educado por meio da Língua de Sinais.” (HONORA; FRIZANCO, 2009, p. 23).

Em função de tais discussões, objetivando provar que o oralismo era o único método a ser utilizado na educação dos surdos, é possível perceber que, no final, alguns pesquisadores, médicos e cientistas reconheciam a importância da Língua de Sinais.

Na Alemanha, no ano de 1880, o método oralista ainda continuava tendo muitos defensores, exceto uma educadora, Anna Sullivan. No filme The Miracle Worker (1962), relata a história verídica de uma das maiores realizações daquele país em relação ao uso da Língua de Sinais. O filme começa abordando sobre o histórico de Hellen Keller, uma garota que aos dezenove meses de idade, após uma doença, ficou cega e surda. Os seus pais não sabiam o que fazer para ajudar a sua filha, mas com o passar do tempo Hellen foi surpreendendo seus familiares. A garota com sete anos de idade já tinha criado cerca de sessenta gestos para se comunicar com eles.

Embora isso fosse um progresso, os pais de Hellen perceberam que não era suficiente, logo, procuraram um especialista para estimular o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e espiritual de Hellen Keller. A responsável por esse “milagre” foi Anna Sullivan, uma educadora recém-formada, que valorizava a Língua de Sinais. A professora apesar de pouca experiência, teve muita sabedoria para lidar com a situação. Ela usou dois métodos: Tadona, que consiste em tocar os lábios e a garganta da pessoa que fala; e a Dactologia, que era a soletração do alfabeto em Língua de Sinais (por Hellen ser cega era feito na palma de sua mão). A professora teve muito sucesso com os métodos utilizados.

Após a iniciativa da educadora Anna Sullivan em querer fazer a diferença, Hellen tornou-se uma cidadã ativa, formou-se em Filosofia, foi escritora e também jornalista. Keller (1957) relata como foi difícil vencer os obstáculos e mostra como a vida deve ser valorizada nos mínimos detalhes. Hoje, há várias instituições no mundo com o nome dessa mulher que lutou para aprender e que aproveitou a sua oportunidade.

Os Estados Unidos também tiveram uma participação incrível na história dos surdos. Em 1817 foi fundada a primeira escola para pessoas com necessidades auditivas. Nesse período o mesmo país se destaca na educação de surdos por utilizar a Língua de Sinais Francesa trazida por Laurent Cler, um francês surdo e renomado da época. (HONORA; FRIZANCO, 2009).

Segundo Smith (2008, p. 305), “[...] os Estados Unidos foram o primeiro país a criar uma universidade de surdos no mundo, a Gallaudet Universit.” Em suma, é observável que muitos países tiveram muita influência para o crescimento da Língua de Sinais, outros infelizmente não aceitavam essa modalidade linguística, sendo pertinente que atualmente essa LÍNGUA tem tido conquistas em vários ambientes, especialmente no educacional.




Darty Cléia Messias – Pedagoga, pós-graduada em Gestão Educacional, pós-graduanda em Educação Especial Inclusiva.
Referência(s):
FRIZANCO, Mary Lopes Esteves; HONORA, Márcia. Livro ilustrado de língua brasileira de sinais: desvendando a comunicação usada pelas pessoas com surdez. São Paulo: Ciranda Cultural, 2009.
KELLER, Helen. Lutando contra as trevas. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura,1957.
PENN, Arthur. The Miracle Worker. [Filme-vídeo]. Direção de Arthur Penn. Estados Unidos, Classic Line, 1962. 1 cassete VHS / NTSC, 106 min. Color. Son.
SMITH, Deborah Deutsch. Introdução à educação especial: ensinar em tempos de inclusão. Trad. Sandra Moreira de Carvalho. 5. ed. Porto Alegre: Artemed, 2008.